A fisioterapia vascular desempenha um papel crucial, muitas vezes subestimado, no tratamento conservador e na reabilitação de pacientes com insuficiência venosa crônica. Diferente do que muitos imaginam, o tratamento de veias dilatadas não se resume apenas a procedimentos cirúrgicos ou medicamentosos; a abordagem fisioterapêutica atua diretamente na melhora da funcionalidade do sistema circulatório. O objetivo principal é aliviar sintomas debilitantes como a sensação de peso nas pernas, o inchaço (edema) e a dor, que impactam significativamente a qualidade de vida. Através de técnicas específicas, o profissional busca estimular o retorno venoso, combatendo a estase sanguínea que agrava o quadro clínico. A reabilitação é uma aliada indispensável, tanto para quem busca evitar uma cirurgia quanto para quem está no pós-operatório. Entender que o movimento guiado e as terapias manuais são ferramentas poderosas para a saúde das pernas é o primeiro passo para um tratamento eficaz. A fisioterapia atua na causa funcional do problema, fortalecendo a bomba muscular da panturrilha e promovendo uma drenagem eficiente dos fluidos acumulados nos membros inferiores.
Avaliação Inicial: O Mapeamento das Necessidades do Paciente
Antes de iniciar qualquer protocolo de reabilitação, é imprescindível realizar uma avaliação cinesiológica funcional detalhada. Nesta etapa, o fisioterapeuta analisa não apenas o aspecto visual das pernas, mas também a história clínica do paciente, seus hábitos de vida e a presença de comorbidades. É fundamental identificar o grau de comprometimento vascular, a presença de alterações na pele (como manchas ou úlceras) e a funcionalidade articular dos tornozelos, que influencia diretamente na capacidade de bombear o sangue de volta ao coração. O profissional utiliza testes específicos para verificar a presença de edema e a amplitude de movimento. Cada organismo reage de forma única à insuficiência venosa, e, portanto, o plano de tratamento deve ser personalizado. A avaliação criteriosa permite traçar objetivos claros e escolher as técnicas mais adequadas para cada caso, garantindo a segurança e a eficácia da terapia. Sem esse mapeamento inicial rigoroso, corre-se o risco de aplicar condutas que não atendam às necessidades reais daquele sistema circulatório específico.
Drenagem Linfática Manual
Uma das técnicas mais conhecidas e eficazes dentro da fisioterapia vascular é a Drenagem Linfática Manual (DLM). Diferente de uma massagem relaxante comum, a DLM consiste em manobras suaves, rítmicas e precisas, que seguem o trajeto do sistema linfático. O objetivo é mobilizar o excesso de líquido acumulado nos tecidos (o inchaço) em direção aos gânglios linfáticos, para que seja eliminado pelo organismo. Em pacientes com problemas venosos, o sistema linfático frequentemente fica sobrecarregado, e a drenagem atua como um auxílio externo essencial para descongestionar os membros inferiores. Ao reduzir o volume do edema, diminui-se a pressão interna nos tecidos, aliviando imediatamente a sensação de peso e cansaço. É uma técnica que exige conhecimento anatômico profundo, pois a pressão excessiva pode colabar os vasos linfáticos ao invés de drená-los. A regularidade nas sessões de drenagem contribui para a manutenção de pernas mais leves e previne o endurecimento da pele (fibrose) que pode ocorrer em casos crônicos de inchaço não tratado.
Cinesioterapia Vascular
A cinesioterapia, ou terapia pelo movimento, é o pilar central da reabilitação vascular. O foco principal são os exercícios metabólicos, especialmente aqueles voltados para o fortalecimento do tríceps sural (a musculatura da panturrilha). Essa região é conhecida como o “coração periférico” do corpo humano. Quando caminhamos ou contraímos a panturrilha, os músculos comprimem as veias profundas, impulsionando o sangue contra a gravidade de volta ao coração. Em pacientes com varizes, essa bomba muscular muitas vezes está enfraquecida ou o tornozelo possui pouca mobilidade, prejudicando o bombeamento. O fisioterapeuta prescreve séries de exercícios específicos, que envolvem movimentos de “ponta de pé” (flexão plantar e dorsiflexão), tanto em repouso quanto em ortostatismo (em pé). A ativação muscular correta é vital para a dinâmica circulatória. Além do fortalecimento, trabalha-se a mobilidade articular, garantindo que a articulação do tornozelo tenha a amplitude necessária para ativar a musculatura de forma eficiente durante a marcha diária, transformando o simples ato de caminhar em um tratamento contínuo.
Terapia Compressiva
A terapia compressiva é frequentemente associada ao uso de meias elásticas, mas na fisioterapia vascular, ela vai além e pode incluir enfaixamentos funcionais e o uso de botas de compressão pneumática. O princípio é aplicar uma pressão externa graduada — maior no tornozelo e menor na coxa — para contrapor a pressão interna elevada nas veias doentes. Esse suporte mecânico reduz o diâmetro da veia, o que aumenta a velocidade do fluxo sanguíneo e melhora a eficácia das válvulas venosas restantes. O fisioterapeuta é o profissional capacitado para ensinar o paciente a calçar as meias corretamente (o que pode ser difícil para idosos ou pessoas com pouca mobilidade) e a realizar enfaixamentos específicos, como a Bota de Unna, em casos de úlceras venosas. O uso incorreto da compressão pode gerar efeito garrote e piorar o quadro, por isso a orientação profissional é indispensável. A compressão atua sinergicamente com os exercícios, potencializando o efeito da bomba muscular durante a atividade física realizada na sessão de reabilitação.

Reabilitação no Pós-Operatório de Varizes
Após procedimentos cirúrgicos, seja a cirurgia convencional (stripping) ou técnicas minimamente invasivas como o laser ou radiofrequência, a fisioterapia é essencial para acelerar a recuperação e prevenir complicações. O foco no pós-operatório imediato é o controle da dor, a redução de hematomas e a prevenção de trombose venosa profunda (TVP). Técnicas de terapia manual são utilizadas para evitar a formação de fibroses e aderências cicatriciais que podem restringir o movimento ou causar desconforto futuro. A mobilização precoce, orientada pelo fisioterapeuta, é fundamental para reativar a circulação sem comprometer a cicatrização dos vasos tratados. O repouso absoluto é coisa do passado; o movimento controlado é a chave para uma recuperação saudável. A reabilitação ajuda o paciente a retomar suas atividades diárias com segurança e confiança, minimizando o tempo de afastamento do trabalho e garantindo que o resultado estético e funcional da cirurgia seja preservado a longo prazo.
Educação em Saúde e Mudanças de Hábitos
A fisioterapia não termina quando o paciente sai do consultório; a educação em saúde é uma parte integrante do tratamento. O paciente precisa compreender a natureza crônica da doença venosa e aprender a gerenciar seus sintomas no dia a dia. Isso envolve orientações posturais, como evitar ficar longos períodos parado na mesma posição (seja em pé ou sentado) e a importância de realizar pausas ativas para movimentar as pernas. O fisioterapeuta ensina técnicas de elevação dos membros inferiores em angulações corretas para favorecer o retorno venoso ao final do dia. Além disso, são abordados cuidados com a pele, hidratação e a escolha de calçados adequados, que não prendam o tornozelo ou prejudiquem a pisada. O empoderamento do paciente através do conhecimento é a melhor forma de prevenção. Pequenos ajustes na rotina diária, orientados por um profissional, podem impedir a progressão da doença e reduzir significativamente a incidência de novos vasos dilatados ou complicações mais graves.
Protocolos de Exercícios Domiciliares e Manutenção
Para garantir a longevidade dos resultados obtidos na clínica, é elaborado um programa de exercícios domiciliares. A consistência é o segredo do sucesso no tratamento vascular. Abaixo, listamos algumas práticas comuns recomendadas para a manutenção da saúde venosa em casa:
- Caminhadas diárias: Realizar caminhadas leves a moderadas, de 30 a 40 minutos, utilizando calçados confortáveis para ativar a circulação.
- Movimentos de tornozelo: Sentado ou deitado, realizar movimentos circulares e de “acelerar e desacelerar” com os pés várias vezes ao dia.
- Elevação estratégica: Deitar-se com as pernas elevadas acima do nível do coração por 15 a 20 minutos, preferencialmente ao final do dia.
- Respiração diafragmática: Praticar exercícios respiratórios profundos, pois a pressão negativa gerada no tórax auxilia no retorno do sangue venoso.
- Hidratação constante: Manter-se bem hidratado para melhorar a viscosidade do sangue e facilitar a circulação.
Seguir essas orientações de forma disciplinada complementa o tratamento clínico e proporciona uma sensação duradoura de leveza e bem-estar.
Conclusão
A fisioterapia vascular apresenta-se como uma abordagem completa e indispensável no manejo das varizes e da insuficiência venosa. Ao integrar técnicas de drenagem, exercícios de fortalecimento, terapia compressiva e educação contínua, o tratamento vai muito além da estética, focando na restauração da função circulatória e na qualidade de vida do paciente. A reabilitação oferece as ferramentas necessárias para que o indivíduo retome o controle sobre sua saúde, aliviando dores e prevenindo complicações futuras. Seja como tratamento conservador ou suporte pós-cirúrgico, o acompanhamento especializado transforma a rotina de quem sofre com problemas vasculares, devolvendo a liberdade de movimento e o bem-estar.
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